Tudo e Todas as Coisas
- Gabriella Sobrinho

- 12 de fev. de 2022
- 5 min de leitura
Odeio o quanto tiraram potencial desse filme ✩✩
Sinopse:
Maddie (Amandla Stenberg) é uma adolescente diagnosticada com Síndrome da Imunodeficiência Combinada Grave (SCID), filha de uma médica extremamente cuidadosa. Devido a isso, tem baixos níveis de anticorpos, tornando seu organismo suscetível a transformar infecções simples em letais. Prestes a completar 18 anos sem sair de casa, conhece Olly (Nick Robinson), seu novo vizinho, por quem se apaixona e repensa se o risco dese expor vale a pena para viver o seu maior sonho: conhecer o mundo exterior.
Crítica:
Para fazer a crítica verdadeira, precisei entrar em detalhes sobre os furos no roteiro e tudo que me deixou indignada a respeito desse longa-metragem. Sendo assim, colocarei aqui o texto que usei no post do Instagram (análises curtas) para quem ainda não assistiu.
Sinceramente, não entendi muita coisa desse filme. Pela premissa, imaginei que lembraria A Cinco Passos de Você, mas não. Não chega nem perto. Muito mal elaborado e o final me deixou completamente (???). Adoraria que tivessem explorado o “relacionamento à distância” com mais detalhes e profundidade para nos deixar ansiando pelo casal! Playlists, algo no jardim/quintal, filmes, vídeo chamadas, flores... sei lá! A lista de clichês é gigante! Sou canceriana e maria mole, gente. Me deixa esperar os grandes gestos, por favor! Hahaha.
O filme não é ruim, mas não assistiria novamente. Conta com uma fotografia de cores bem brandas e o cenário da casa da Maddie é muito lindo! O lar dos sonhos real! Tem muitas partes de vidro e um ar bem fresh. Os protagonistas são a Rue (Jogos Vorazes) e o Simon (Com amor, Simon), o que me obrigou a assistir, já que amo esses longas. Vale a pena dar play para tirar suas próprias conclusões :)
Sinceramente, não entendi muita coisa desse filme. Pela premissa, imaginei que lembraria A Cinco Passos de Você, mas não. Não chega nem perto. Muito mal elaborado e o final me deixou completamente (???). O romance do casal acontece muito rápido! Basicamente esqueceram que a menina não pôde sair por 18 anos (pois podia, literalmente, morrer, caso o fizesse) e, praticamente do nada, resolve se aventurar por um garoto que mal conhece. Achei que faltou o romance bem elaborado.
Adoraria que tivessem explorado o “relacionamento à distância” com mais detalhes e profundidade, pra nos deixar ansiando pelo casal! Playlists, algo no jardim/quintal, filmes, vídeo chamadas, flores... sei lá! A lista de clichês é gigante! Havia o plus que impulsionava e facilitava ainda mais: eles são VIZINHOS! Realidade: apenas mensagens e um único grande gesto por parte Olly (muito lindo e fofo, por sinal, mas pouco explorado também).
A rapidez dos fatos chega a se distanciar demais da realidade, podendo comparar com fantasia. O sistema imune debilitado da protagonista é, por muitas vezes, minimizado, como se o perigo não fosse letal. A premissa se encaixa em romances impossíveis + adolescentes com doenças graves, como em A Culpa é das Estrelas. Entretanto, em momento algum o romance pareceu inalcançável. Pelo contrário! Os encontros foram facilitados e aconteceram sem supervisão ou controle, chegando ao ponto de um beijo em apenas dois encontros e pouco tempo de conversa.
Há alguns pontos que também valem a pena mencionar. A protagonista solicita um cartão de crédito pela internet que logo é aprovado, recebendo-o momentos depois. Ela o utiliza para comprar duas passagens para o Havaí, hospedagem e roupas de banho; porém, como ela conseguiu um limite tão alto de primeira? A ida até o aeroporto não foi explorada. Não enfocaram suas emoções ao estar perto de outras pessoas, ao se ver em aglomeração, ao subir num carro/avião pela primeira vez. Parecia que tudo era normal, mas que não o fazia há algum tempo. Como se apenas tivesse se esquecido da sensação.
O Olly foi pouco explorado. Havia muitas formas interessantes de introduzir um aprofundamento no personagem, como em conversas por mensagem de texto ou chamada de vídeo, por exemplo. Ele sofria com um pai abusivo, exemplos de violência doméstica dentro do lar e constante preocupação com a mãe e irmã, resultando num amadurecimento precoce. Porém. Infelizmente, só vemos bem por cima. Em um momento de perguntas e respostas, ele confessa ter vício em “pequenos furtos”, mas isso sequer causou impacto na personagem ou foi retomado em algum outro momento.
Cheguei a imaginar que o protagonista lembraria o Hardin (After), como o badboy obstinado que se apaixona por uma menina ingênua, mas ele permaneceu como uma incógnita até o final. Não chegamos a compreender o seu lado e ideias. Outra coisa que identifiquei como um grande deslize do roteiro foi a irresponsabilidade do Olly com a Maddie. Não o vemos impedindo o desejo da garota de chegar mais perto, tocá-lo e sair do ambiente seguro. Entendo a impulsividade dela em querer que tudo aconteça com urgência, pois se vê apaixonada pela primeira vez. Porém, esperei que ele fosse agir com cautela, evitando riscos desnecessários, afinal, a aproximação tinha potencial letal.
Por fim, a maior falha do longa foi quando a Maddie descobre que sua mãe, médica, mentiu sobre o seu diagnóstico que lhe fez prisioneira por quase dezoito anos. Não vemos desespero, revolta ou raiva... foi como se a genitora tivesse forjado uma simples intolerância à lactose. A filha “entende” que o segredo teve embasamento, uma vez que já havia perdido o pai e o irmão, sobrando apenas as duas na família; justificando, assim, que ela se convenceu da SCID por medo de se ver sozinha. Para mim, foi o momento mais bizarro! As consequências e a monstruosidade do segredo revelado foram minimizadas e reduzidas ao nada.
Logo após, corta pro casal principal se reencontrando em outra cidade (sem nos oferecer informações de como ela estaria se virando sozinha, sentimentos, com quem/como chegou até lá) e nada mais sobre o relacionamento extremamente tóxico com a mãe. Resolver o romance foi mais importante que a infância e adolescência perdidas. Não gostei da forma que retrataram o casal de "Sol da Meia-Noite", mas esse aqui foi pior.
Se eu pudesse reescrevê-lo, deixaria a maior parte do longa explorando o vínculo entre o casal. Como foi pra Maddie se ver apaixonada por alguém que está tão perto e, ao mesmo tempo, extremamente distante. Como foi pro Olly, o possível badboy aventureiro, estar apaixonado por alguém que nunca poderia tocar. Instigaria a intimidade dos dois ao máximo até que o desejo de se arriscar e viver a vida fosse sufocante. Revelaria o segredo da mãe com tempo o suficiente para ver o real impacto e estrago causados, explorando o lado desolado da Maddie e a desumanidade do ato perverso da genitora. Por fim, ciente que os riscos eram ínfimos, fecharia com a tão sonhada visita ao oceano, com o seu love, matando a necessidade dos telespectadores de verem o casal se abraçando, beijando e aprendendo a conviver juntos.
Estreado em 2017, conta com 1h37 e está disponível no GloboPlay, Telecine e Prime Video.








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